Artistas


Trabalham muito com o cérebro, com os sentimentos, com as emoções.
Emulam sensações, interpretam momentos. 
Percebem, cristalizam, congelam e eternizam passagens instantâneas.
Fotografam palavras, frases e imagens cerebrais. 
Falam ao coração e não à pele!
Movem-se na essência e não na superfície.
Não têm preguiça de pensar, sentir e viver.
São artistas e seu valor não é medido pelo preço que lhes pagam.
O fruto de seu trabalho não pode ser mensurado com moedas dessas que compram água que não mata sede e pão que não sacia a fome.
Seus pés ainda tocam o chão, seu ventre ainda recebe trigo, cevada e uvas.
Mas suas mentes alçam voos altaneiros pelo ar. 
Percorrem caminhos sem se preocupar com as cercas que delimitam os terrenos no chão.

Rafael Reparador

Guarde seu coração


“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” 
Livro dos Provérbios


O coração, na anatomia humana, é o órgão central da circulação sanguínea. É ele que movimenta o sangue, líquido vital do corpo, levando o oxigênio para órgãos, membros, tecidos. 

Figuradamente, o coração é a parte central, o núcleo, o centro das sensações, percepções e emoções. Símbolo do amor e dos sentimentos de altruísmo, generosidade, piedade e compaixão, ele também representa a vida interior de uma pessoa.

Segundo a sabedoria milenar da Bíblia, devemos dar a preferência na guarda desse centro vital de nosso ser, o coração simbólico.

Antônio Cícero, compositor e escritor brasileiro, define ‘guardar’ de uma maneira muito linda, conforme podemos ver em seu poema que leva o mesmo nome. Veja: 

"Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.”

Pois bem, sob uma perspectiva mais metafórica do coração e um novo entendimento sobre o que significa guardar, a proposta que trago nesta reflexão, tanto pra mim quanto pros leitores, é a de que devemos ser muito cuidadosos com a fonte de nossa essência vital, o ponto central de nossas almas. 

Do meu ponto de vista, preservar o coração significa cultivar uma vida que privilegia perspectivas positivas acerca das nuances mais diversas da existência. 

Sabendo que não há um estado perene de felicidade, pelo contrário, vivendo num caldeirão de situações de ‘sortes e revezes’ a busca por uma perspectiva umedecida em altas doses de esperança é fundamental para que não mergulhemos num estado de depressão, revolta ou quaisquer outras sensações destrutivas, comuns à consciência do caos.

Certa vez ouvi de alguém que “a ignorância é a mãe da felicidade”. Na época concordei e ainda consigo entender o sentido desta frase, mas hoje, minha ótica é outra. Minha ótica é a da superação – a ação dos super-heróis; é a de extrair bons perfumes dos chorumes, a velha limonada dos limões da vida. 

A esperança é o açúcar, antídoto da amargura de uma vida cheia de más surpresas. Ela ajuda a guardar o coração, ajuda a manter a sobriedade e tranquilidade, a não surtar diante de tantas más notícias nos telejornais e na vizinhança. 

Guardemos o coração, superemos nossas amarguras, vençamos as dores da alma, admiremos o coração, iluminemos, sejamos por ele iluminado e, sobre tudo, não percamos o coração de vista, ou seja, atravancando possibilidades de emoções incríveis em situações arriscadas - como um grande amor, uma adoção, ou simplesmente aceitar um pedido de perdão.
Desejo que ninguém mais se torne tão triste, a ponto de ser incapaz de amar, aceitar, receber, olhar com ternura, ajudar, acreditar.

Rafael Reparador

Música de Deus aos quatro cantos da terra...


Pergunta: 
Rafael, queria te perguntar: eu tenho o sonho de levar a palavra de DEUS através da musica; queria ter um ministério pra sair e falar aos 4 cantos da terra. 
Hoje em dia tem gente com essa visão na igreja? Qual tua opinião?

Resposta: 
Acho que o primeiro passo é conseguir se desvincular do rótulo, do selo gospel! Ou seja, precisa atravessar a ponte e o caminho de volta para o mundo normal, vencendo a tentação de se apoiar na muleta do público garantido da igreja e partir como todas as outras bandas do mundo em busca de seu público lá no mar, onde estão os peixes.
Sem sombra de dúvida, a arte é o grande, senão o maior de todos os meios, para se propagar a mensagem de Deus, revelada em Jesus. 
Nada mais adequado que levar uma mensagem tão bela, numa roupagem artística.

Rafael Reparador

Deus quer usar o que você tem nas mãos!


"Perguntou-lhe o SENHOR: “Que é isso que tens na mão?” Respondeu-lhe Moisés: “Um cajado!”
Livro do Êxodo

"Todo mundo precisa de um salvador. Todo mundo precisa ser salvo", diz a canção de um amigo americano, em missão de evangelização no Brasil há vários anos. 
De fato, vejo cada ser humano como uma alma peregrina neste mundo atroz - mergulhado em trevas espirituais - à espera da revelação de uma luz salvífica. 
Moisés, libertador do povo de Israel de seu martírio escravo, tipifica o salvador de vidas perdidas, que vagueiam sem esperança pelo mundo. 
Apesar de sua grandiosa obra, contada através de livros sagrados para o judaísmo, islamismo e cristianismo, Moisés, foi um ser humano comum, que teve seus momentos de dúvida e medo, diante da imensa responsabilidade que lhe foi proposta. 
Quero usar o fragmento bíblico acima para suscitar uma ideia que me chama a atenção na história daquele personagem emblemático. 
O texto diz que Moisés estava inseguro sobre a aceitação das pessoas quanto ao seu caráter de "enviado de Deus". Diante disso, o Senhor lhe respondeu com uma pergunta: "O que você tem na mão?"
Lembro-me bem quando, vários anos atrás, lia esse texto pela primeira vez e senti esta mesma pergunta ecoando em meu interior: "O que eu tenho nas mãos?"
O dia em que entendi de uma forma "um pouco mais articulada" a existência de Deus, foi o mesmo dia em que me coloquei à Sua disposição para ser instrumento de luz e bênção para as vidas que precisavam de um salvador.
Me senti como um Moisés, um mensageiro de uma ideia, um pregoeiro de esperança com a incumbência de apontar um caminho pra fora daquele 'egito' escravizador, opressor e déspota.
Foi ali que entendi - diante da proposta da missão - que o que tinha nas mãos seria instrumento de Deus, condutor de um fragmento de luz para pessoas em trevas. 
Olhei pra mim mesmo e disse: "eu tenho um violão!", "eu tenho uma voz!", "eu tenho uma poesia e uma melodia!" 
Era isto que tinha e é isto que tenho!

É pequeno, não é sucesso, não atinge as massas, não é viral, não está nas rádios, nem na TV, mas é o que tenho nas mãos, Senhor.

Na continuidade do texto bíblico "...Ordenou-lhe o SENHOR: “Lança-o na terra!” Moisés prontamente atirou o cajado ao solo, e ele se transformou em uma grande cobra, e Moisés esquivou-se dela, assustado. Então ordenou Yahweh a Moisés: “Estende a tua mão e pega-a pela cauda”. Ele estendeu a mão, pegou-a pela cauda, e ela se converteu em cajado, em sua mão. E disse o SENHOR: “Fazei isso para provar aos israelitas que Yahweh, o SENHOR, o Deus de teus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, de fato, apareceu a ti!” 

De forma absurda, assustadora, miraculosa, utilizando uma figura completamente emblemática como a serpente, o Senhor usou o cajado daquele homem, transformando-o num símbolo de seu poder atuante na incapacidade humana.
Quais são os seus recursos? Qual seu dom? Que talento você possui e que será colocado à serviço da Luz Divina?
Eu tenho uma canção e você, o que tem?

Rafael Reparador

P.S.:  
A serpente é uma personificação mística de força, de inteligência, sendo emblema da força energética e da sabedoria para diversas escolas de misticismo e ocultismo do passado e também da atualidade. 

Ela aparecia na coroa dos faraós egípcios e representava o Eu Inferior Oculto, que é a mente subconsciente ou inconsciente. 
Na medicina, ela está presente no bastão de Esculápio ou Asclépio, símbolo antigo, relacionado com a astrologia e com a cura dos doentes através da medicina. 

Irmãos!


Irmãos, já fui pastor, não sou mais. Já fui levita, hoje, não mais, já fui também cantor gospel, agora, não.

Com o passar dos anos, cada vez mais distante do cotidiano da religião evangélica, meus compromissos com qualquer tipo de orto-doxia-praxia, seja lá da organização eclesial ou linha teológica que fossem, aos poucos sumiram.
Portanto, saibam que não sou sacerdote ou membro de nenhuma religião, desde dezembro de 2005.
Essencialmente, no meu espírito, procuro seguir ao Messias, o Filho de Deus - ou melhor, perseguir.
Se hoje presto algum tipo de serviço, o faço em nome do meu Senhor à humanidade, não mais às instituições oficiais da religião, seja como músico, compositor, pregador, escritor...
Acredito piamente que amo e temo a Deus, a quem aprendi a chamar de Pai. Amo ao Cristo, o Filho, meu amigo, salvador, Luz da minha vida e creio no conceito disso tudo revelado em meu interior, numa figura mística que me foi apresentada com o apelido de Espírito Santo. 
E se quer saber: sim, eu sinto a chama desse espírito queimando em meu coração!
De qualquer forma, saliento que se ainda existe em mim algum sacerdócio, eu o chamaria de "real", aquele do "Corpo Vivo", das "Pedras Vivas", da "Lavoura de Deus". Esse "trabalho", em meu entendimento, é baseado na fraternidade, na liberdade e na igualdade de todos os que comungam da fé cristã - confessional ou não, articulada ou não, membros ou não de algum corpo coletivo - submetidos em amor a uma inteligência espiritual soberana, pra mim, único Ungido de Deus, representante de seus 'negócios' na Terra, seu Filho, meu Rei e Senhor.
Assim sendo, se ainda há alguma constituição em minha mente, ela não é segundo uma ordem/hierarquia humana, mas é daquelas que são reveladas no íntimo das pessoas, em seu espírito. Portanto, não trabalho com imposição de ideias (as minhas e as de outros), apenas divulgo, compartilho conforme entendo e creio, sendo impelido, em amor, por minha consciência cristã.
Por fim, quero frisar que sou livre, estou livre e ajo conforme essa consciência, não sem antes procurar ouvir do Pai, da família, dos irmãos, dos sábios, da Bíblia, dos filósofos, dos profetas e poetas... e ainda assim, o risco de errar é grande!
Se algum dia, alguém se sentiu, ou vier a se sentir ofendido comigo por minhas revelações não ortodoxas, por favor, tente me ver como alguém diferente - que por algum tempo viveu na mesma religião que você, mas que não vive mais. 
Não desejo cuspir no prato que por anos comi, no entanto, vendo o que vi e vivendo o que vivi, simplesmente decidi: "antes só que mal acompanhado" e dizendo isto, não falo de pessoas, mas do Sistema, ok?
As pessoas continuam lindas pra mim. Ainda acredito nelas, ainda tenho fé, ainda as amo!
Por isso, se puder, pense em mim como alguém que está na mesma busca que cada ser humano empreendeu ao andar pela face deste mundo: a busca pela razão, pelo sentido, pelo porquê!
Diferentes na forma, em essência, contudo, somos todos iguais, seguindo por trilhas distintas; somos todos pecadores, apesar de comumente acharmos que o 'vosso' é sempre pior do que o 'nosso'.
Ademais, quanto a possíveis choques que minhas posições venham causar, peço perdão e se der, que entre nós reine a Paz do Senhor!

Abraço,

Rafael Reparador

Presente, pretérito, futuro... amo!


Eu não sei se devia, mas quero
eu não sei se podia, mas busco
eu não tinha certeza, mas to indo!

Eu não sei se cabia, mas to dentro
eu não sei se servia, mas entro
eu não tinha mais nada, mas dou tudo.

Eu não sei se era eterno ou passageiro
eu não sei se eu espero ou vou correndo
eu só sei que não sei, mas eu sinto.

E o que eu sinto é agora, não escondo
num pedaço passado ou futuro
não me enrolo num jogo de tempo
o que eu sinto e o que eu sei é que eu amo!

Rafael Reparador

Esperança em xeque



Você procura o médico e ele te deixa morrer. 

Procura a polícia, ela te agride e rouba. 
Procura pela justiça e ela se vende. 
Procura o pastor, ele te entrega aos lobos. 
Procura o amor, te odeiam.
Jesus indagou há dois mil anos se no futuro (agora) encontraria fé no mundo; também disse que com o aumento da iniquidade, o amor de quase todos se esfriaria.
De fato, o mundo se torna, dia após dia, um lugar cada vez mais hostil e difícil para se viver!
Oremos por mais fé, esperança e, sobretudo, amor.


Rafael Reparador