Nine-eleven



Eu te aceitei como um presságio, como um sinal te recebi. 
Você passou por mim, assim, de forma avassaladora. 
Remarcou minha história, foi como um antes e um depois. 

Suas dimensões monumentais, baluarte de um império 
são como nada ante a coluna de fumaça que se ergueu. 

Na geração das mágoas, que apregoa o egoísmo, 
coitados tomam o poder reagindo com o que têm. 
Usam seus corpos como armas. 
Cordeiros suicidas que se rebelam contra o predador. 
Os perseguidos agora perseguem! 
Estão à espreita, ninguém sabe de onde eles vêm. 
Ninguém está seguro, não há tranquilidade. 

Depois do que todos vimos, na manhã de sol insípida, 
compartilhada com o mundo inteiro, 
como que um breakfast maldito. 
Pudemos ter a noção apocalíptica, 
a revelação nua do caos iminente. 

Obrigado, nine-eleven, 
você me libertou da mentira cósmica 
e me fez ver a lama de ressentimento 
que atolou a todos os humanos 
me lançando nos insondáveis 
oceanos de fé e esperança.

Rafael Reparador

Yeshua!

É a cura de Deus em doses homeopáticas,
é a revelação dos segredos em formas práticas,
a sabedoria que ilumina pequenos e grandes.

O pagamento da conta, o cumprimento da justiça,
a manifestação do amor e a expressão do favor.

É o perdão que consola os culpados, 
a reconciliação dos outrora rompidos. 
Ele é o mapa dos perdidos, 
o bálsamo dos que sofrem e 
o agente do riso para os aflitos.

A paz no coração do soldado, 
a inspiração nos lábios do cantor, 
a melodia e a letra perfeita na pena do compositor.

Filosofia, antroposofia, psicologia, anarquia...
Coração, espírito, indivíduo, sociedade, coletivo...

O pouco que supre a mesa do pobre, 
a gota que salva a vida do rico esnobe.

Incontrolável, indomável, ilimitado, inescrutável.
Insondável, estupendo, formidável!

Rafael Reparador

Marginais num estado de sítio - mensagem em vídeo